Depoimento 8 – Minha história nas Amigas do Peito

Um dia, fui à consulta do pediatra com meu filho Bernardo…. Enquanto aguardava na sala de espera, peguei uma revista Cláudia. Folheando, achei um artigo sobre as Amigas do Peito e uma caixa postal. Achei que eram mulheres muito interessantes e escrevi. Claudia Orthof respondeu falando dos grupos de apoio e fui conhecer o Grupo da Tijuca.

Fiquei encantada com o trabalho e logo me identifiquei com as Amigas. Ah, se existisse o grupo na minha primeira filha! Eu teria amamentado pelo menos seis meses só no peito e manteria a amamentação por muito mais tempo. E isto não aconteceu nem na primeira, que mamou seis meses, nem na segunda que mamou só sete meses. Quando a terceira filha chegou, creio que as coisas já estavam mais bem aprendidas, e amamentei mais tempo, chegando aos 15 meses mais ou menos.

Com Clarice, Carolina e Cristiana pequenas, a amamentação do Bernardo foi uma ótima solução. Edi Nelson foi um pai participativo o tempo todo com as meninas. Mas quando Bernardo tinha 4 meses de idade, ele precisou viajar por seis meses e quase não viu o filho na primeira fase da vida. Ainda assim, participou bastante no segundo e terceiro anos, principalmente nas noites de chamados rouquenhos de “mãe, eu quero mamar”, “quero mamar no peito da minha mãe!!!!”, lá pelas duas da manhã nos mais altos brados que uma criança de dois anos pode dar…

Estávamos de mudança para Niterói e não havia grupo de apoio na cidade. Juntei -me a outra Maria Lúcia ( Faria) e, com ajuda da Rose, e com a chegada da Emi, fomos adiante com reuniões no pátio da Igreja de S. Domingos. A primeira reunião do Grupo de Niterói ocorreu no dia 9 de novembro de 1985.

Quando nos mudamos para a casa onde moramos atualmente, Bernardo já não mamava, e a Beatriz nasceu em menos de 2 meses de casa nova, fevereiro de 1986, no meio de uma obra, com as amigas nascendo também em Niterói. Esta mamou tão bem quanto a Cristiana e o Bernardo, só que por mais tempo. Mesmo quando fui fazer um treinamento sobre o Código Internacional de Substitutos de Leite Materno que durou uma semana, ela não desmamou. Na volta, perguntou se eu ainda tinha leite e foi checar. Eu tinha e ela mamou dos dois lados e voltou a mamar por mais cerca de um ano.

No início de minha experiência com amamentação eu não sabia que era possível amamentar prolongadamente. Cheguei até a desaconselhar a amamentação de irmãos de idade diferente durante a gravidez. Depois, com a experiência, percebi que nada é impedimento para uma mãe saudável amamentar.

Mas também sei que nem sempre é simples e fácil deixar fluir a amamentação. O apoio da família, do parceiro, e a sensação de estar sendo acolhida foi fundamental. Quando via meu marido falar com orgulho que eu estava amamentando, eu mesma me sentia tão poderosa que nem o cansaço com as crianças pequenas podia me derrubar.

Quando Beatriz nasceu, a Clarice tinha 8 anos e um mês, e eu já estava morando longe dos avós que ficaram na Tijuca. Assim, só podia ter apoio mais ou menos programado, nada de repente, e nada de infra estrutura de empregada permanente ( ninguém queria trabalhar na minha casa doida!). Assim, me acostumei a levar os bebês para o trabalho e colocá-los embaixo da mesa numa cestinha até começarem a comer outras coisas e poderem ir para a creche (como autônoma eu voltava a trabalhar com cerca de 1 mês….).

Depois, com a creche e os outros na escola, tentava me organizar para que os horários dessem para pegar e levar para as atividades em circuitos compatíveis com o trabalho. Foi muita correria, mas ainda hoje acho que foi um tempo muito bom e de muito aprendizado com as Amigas do Peito, com os vizinhos e com a família.

Desde este tempo, venho participando cada vez mais das atividades do grupo, vendo como as mais antigas atuam, tentando coordenar grupos de apoio (o que até hoje é uma atividade difícil para mim), respondendo cartas, bolando projetos…

Muitas vezes achei que era hora de seguir outros rumos, mas como deixar estas amigas? Como interromper tantos projetos? Assim que outra leva de moças começar a ficar velha… pode ser.

Maria Lucia Futuro, 29/6/2005

Uma resposta to “Depoimento 8 – Minha história nas Amigas do Peito”

  1. Fabiola Cassab Says:

    lindo!!!

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