Imprensa – Superpoderosas – Dia Internacional da Mulher

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AMAMENTAÇÃO NA IMPRENSA

Superpoderosas – Dia Internacional da Mulher

Revista Vida – Jornal do Brasil (5/3/2005).

Por Maria Vianna e Camilla Antunes

Cinco representantes do sexo feminino, de diferentes faixas etárias, falam sobre as dores, os sonhos e as delícias de suas trajetórias no Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, foi estabelecido em 1922, oficializando uma série de celebrações feitas em todo mundo por mulheres socialistas que exigiam direitos trabalhistas iguais aos dos homens. Hoje, a data assumiu um significado maior do que uma luta por direitos iguais entre os sexos. É uma oportunidade para mulheres de todo o mundo refletirem e celebrarem a conquista da liberdade e da autonomia. Em homenagem a elas, o caderno Vida reuniu representantes de diferentes gerações para saber quais são os anseios do sexo feminino em pleno século 21.

Joana Pegado

Maturidade à vista: A designer Joana Pegado, de 30 anos, é conhecida dos cariocas por vender bolsas temáticas em feiras de moda espalhadas pela cidade. Após o nascimento de seu filho Tito, há dois anos, ela corta um dobrado para conciliar os papéis de mãe, empresária e esposa. Independente, Joana saiu de casa aos 18 anos, mas acredita que a liberdade é uma conquista diária, um processo contínuo. ”Se manter independente é o maior desafio das mulheres hoje. Sair da casa dos pais é fácil, o que vem depois é que complica”, opina.

Trabalho : “Comecei a trabalhar muito cedo porque queria sair de casa, já que não tinha uma boa relação com meus pais, que estavam se divorciando. Fiz cuecas samba-canção, bolsas e todos os produtos que me garantissem um dinheirinho a mais. Hoje luto para manter uma vida profissional. Quem produz em casa ou é seu próprio patrão sabe que manter a organização e a disciplina são desafios, já que sempre surge algum problema extraprofissional para resolver.”

Amor e família : “Estou casada há quatro anos mas passo muito tempo sozinha, pois meu marido é da Marinha e viaja muito. E não dá para simplesmente pegar o celular e ligar sempre que a saudade bate. Quando ele viaja, fica incomunicável. Passo muito tempo com meu filho, que amo como nunca imaginei que fosse amar alguém. É uma paixão que não pára de crescer. Com a maternidade, descobri o quanto sou capaz de amar. É o maior amor do mundo, sem dúvida.”

Problemas : “Depois que o Tito nasceu, me senti só e não tinha certeza se conseguiria ser uma boa mãe. Depois do parto, percebi como as pessoas são individualistas. Tenho muitos amigos, mas não podia incomodá-los no trabalho para dizer que meu filho não parava de chorar. Cheguei a ter depressão pós-parto. Foi aí que encontrei a ONG Amigas do Peito. Lá recebi o apoio que não tive em família para os problemas típicos do pós-parto. As voluntárias me ajudaram a dar conta da minha nova vida, além de suprirem minha carência por companhia. Hoje eu trabalho com elas para ajudar mulheres que estão passando por dificuldades semelhantes às que tive.”

Anseios: “Até os 20 e muitos anos, só pensava em mim mesma. Trabalhava para manter minha independência e para ter o meu dinheiro. Hoje, com uma família, o trabalho passou a ser uma forma de resgatar um pouco da Joana que eu era antes de ter filho. Minha maior busca é ter todas as Joanas em equilíbrio.”

Transformação radical aos 40 – Cláudia Rodrigues

A empresária Cláudia Rodrigues de Souza, 48 anos, sentiu o mundo desabar quando seu marido morreu, há nove anos, vítima de um enfarte fulminante. Em vez de ceder à depressão, ela optou por reconstruir a vida. Mergulhou de cabeça no trabalho e se tornou um exemplo de força, disciplina e otimismo para os dois filhos, Ricardo e Gustavo, de 23 e 26 anos.

Trabalho: ”Comecei a trabalhar após a morte do meu marido, em 1996. Fui à luta para sustentar minha família, pois o dinheiro que eu ganhava não dava para nada. As franquias da loja Imaginarium caíram como um presente em minha vida. Hoje percebo que minhas duas lojas – ambas em shoppings – foram essenciais para eu não desistir de tudo.” AMOR ”Perdi meu marido com 18 anos de casada. Foi um choque, mas não me fechei para o amor. Encontrei um companheiro com quem vivo há sete anos.”

Família:
”É muito difícil para uma mãe ver os filhos ficarem independentes. Admiro muito os meus dois por terem me apoiado quando resolvi dar a volta por cima após o luto. Eles nunca criticaram minhas decisões e estiveram ao meu lado em todos os momentos de transição.”

Problemas: ”Problemas todos nós sempre vamos ter. O importante é enfrentar um de cada vez. Acho que sou otimista demais, e isso pode ser visto como um problema. Às vezes, fico tão animada que olho para o céu e me pergunto se não estou achando tudo azul demais.”

Anseios: ”Descobri que para ter menos angústias, o melhor é não planejar tanto a vida. Tenho planos, mas deixo todos sempre em aberto, mantenho os olhos atentos a todas as oportunidades que aparecem.”

Vitória sobre as provações do destino – Maria Adelaide Amaral

A escritora Maria Adelaide Amaral, 62, é um retrato da mulher moderna. Guerreira, Maria Adelaide se sente vitoriosa por ter trilhado um caminho brilhante, apesar das provações do destino. Recuperada de um câncer na mama, a escritora diz que as mulheres devem se inspirar em personagens como Coco Chanel e Yolanda Penteado para não deixar de lutar pela autonomia.

Trabalho: ”Parei de trabalhar quando me casei, em 1964, porque na família do meu marido era um escândalo uma mulher querer trabalhar. Ao retomar a vida profissional, seis anos depois, fui chamada de irresponsável, entre outras coisas, por deixar meus filhos com as empregadas. Felizmente, isso não acontece mais. Trabalhar não é mais uma escolha, é uma necessidade indiscutível.”

Família: ”Tive que lidar com a culpa de me dividir entre trabalho e família, como a maior parte das mulheres. Se por um lado não foi possível contar com a colaboração da família, por outro tive o auxílio de empregadas maravilhosas, que eram afetivas e dedicadas aos meus dois filhos. Na primeira comunhão de ambos, quem recebeu deles a vela que normalmente se dá à mãe, madrinha ou avó foi a Dona Emília, que trabalhou em minha casa por 18 anos.”

Amor: ”O amor pelos meus filhos me faz sentir plena como mulher. Não apenas no momento em que nasceram, mas pelas pessoas íntegras que se tornaram.” (…) ”Encaro todos de frente, rezando para Deus me dar força e coragem. A fé me ajuda a lidar com a adversidade. Fui submetida a várias provas, entre elas um câncer de mama. Saí de todas elas melhor do que entrei. O câncer transforma nosso olhar porque nos defrontamos com a possibilidade da morte.”

Anseios: ”Quero lutar contra os preconceitos, mesmo os que parecem não me dizer respeito. Quando se luta pelos direitos dos oprimidos, se luta também pelos nossos.”

Determinação e amor ao trabalho – Rosa Célia

Se fosse preciso definir a cardiologista Rosa Célia Barbosa em apenas duas palavras, os adjetivos batalhadora e determinada cairiam como uma luva. Fundadora do Pró-Criança Cardíaca, projeto que já realizou mais de 600 cirurgias de coração em crianças carentes e pelo menos 6 mil atendimentos, Rosa Célia é daquelas pessoas que não sossegam enquanto não realizam seus objetivos. Foi assim que chegou até Londres para exercer sua grande paixão: a medicina. Sua idade, ela não revela nem sob tortura, mas dá uma pista ao deixar escapar que está na casa dos 50.

Trabalho: ”Em 1972, consegui uma bolsa de estudos em Londres, onde me especializei em cardiologia pediátrica. Foi uma grande conquista. Depois de trabalhar no Hospital da Lagoa e no Miguel Couto, no Rio, ir para a Inglaterra era o que faltava para minha especialização. Sempre gostei de cuidar das pessoas e me encontrei na medicina.”

Amor:
”Em Londres, onde conheci o meu marido, descobri um lado mais humano da vida. A afetividade me fez deixar a carreira profissional um pouco de lado. Foi uma parada muito importante na minha vida.” FAMÍLIA ”Quando estava em Londres, nada me fazia querer voltar ao Rio. Não gostava de samba, carnaval e futebol e adorava dias nublados. Mas engravidei de forma inesperada e não teve outro jeito. Meu marido não podia ficar lá. Hoje, com dois filhos lindos, tenho convicção que fiz a escolha certa.”

Anseios: ”Sonho em ver uma liderança melhor no mundo inteiro. Queria que tivéssemos um pouquinho menos para que todo o mundo tivesse um pouco mais. Precisamos nos preocupar mais com a essência. Assim teríamos mais igualdade e justiça.”

Problemas: ”Sou muito insatisfeita com o capitalismo selvagem em que vivemos hoje. Acho que tudo poderia ser melhor se todo mundo lutasse por uma causa comum.”

A precoce escolha da profissão – Rhaniele Sodré

A estudante de psicologia Rhaniele Sodré aos 22 anos tem um longo caminho à sua frente. Depois de desistir da faculdade de jornalismo na metade do curso, ela parece ter finalmente se encontrado – pelo menos no que diz respeito à profissão. À procura da própria felicidade, Rhaniele dá valor a pequenas coisas de sua vida e não se preocupa muito com o futuro. ”Quero me encontrar e não consigo pensar em outra coisa que não seja estar bem comigo mesma.”

Trabalho: ”Tive que escolher uma profissão muito cedo, aos 17 anos. Idealizei um jornalismo que não correspondia à realidade. O tempo de curtição, de novidades, passou e senti que alguma coisa estava faltando. Foi quando decidi fazer vestibular novamente. Dessa vez, escolhi psicologia e me sinto mais realizada.”

Amor: ”Ainda estou numa fase de descobertas em relação ao sexo oposto. Durante a infância e a adolescência, absorvi certos preconceitos que, agora, vejo que não passam de convenções sociais. A mulher deixou de ser apenas um objeto do homem para buscar a própria satisfação e prazer.”

Família: ”Uma família bem resolvida e estruturada é muito importante na formação de qualquer ser humano. Espero dar isso aos meus filhos.”

Problemas:
”Nesta fase da vida, acho que o principal problema é busca pela independência. Os valores dos pais não são mais os nossos e a vontade de ter a própria casa aumenta a cada dia.”

Anseios: ”Busco sempre formas de estar feliz, satisfeita com tudo e todos. Meu sonho é, no fim da vida, olhar para trás e constatar que me realizei. Não vejo sentido em trabalhar muito e não ter tempo para mais nada. Por que trabalhar se não para ter prazer e felicidade?”

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